segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ANVISA suspende diversos produtos irregulares



A ANVISA determinou a suspensão da distribuição, comércio e uso de todos os lotes fabricados entre 13/09/2012 e 07/02/2014 do medicamento Arcalion (Sulbutiamina) 200mg. A empresa fabricante do produto, Laboratórios Servier do Brasil Ltda., comunicou que os lotes apresentaram resultados fora de especificação no estudo de estabilidade de longa duração.
Também foram suspensos todos os lotes do medicamento Usmedina (Dipirona Sódica) 500mg/ml, solução oral, fabricados a partir de 1º/12/2011 pelo Laboratório Usmed. Foi comprovado que o medicamento citado estava sendo fabricado e comercializado mesmo após ter sido interditado cautelarmente por esta Agência.
Já o produto Mata Mosca, bem como todos  os produtos saneantes fabricados pelo Laboratório e Distribuidora Ustok, foram suspensos por não possuírem registro ou notificação na ANVISA. O fabricante também não possui Autorização de Funcionamento (AFE).
Outro produto que foi suspenso por não possuir registro é o Energy Meter 200, fabricado pela empresa Vera de Mattos Vanique Costa – ME. Foi constatado que o produto irregular estava sendo divulgado e comercializado em um sítio eletrônico na internet.
Além dos produtos citados acima, também foram suspensos outros sete produtos. Confira na tabela abaixo: 
Medida
Nome do Produto
Lote(s)
Fabricante
Motivo
Resolução - RE N° 3.932, de 8 de outubro de 2014.

Suspensão da fabricação, distribuição, divulgação, comercialização e uso.
Lumiere Peel Complex.
--
Indústria de Cosméticos Adélia Mendonça Ltda.
O cosmético estava sendo comercializado na internet sem possuir registro, notificação ou cadastro na Agência.
Resolução – RE Nº 3.933, de 8 de outubro de 2014.

Suspensão da distribuição, comercialização e uso.
Gel Brilho Molhado, marca Carmesim.
Lote 005 (val:. 01/2015)
B&M Ind. Com. e Distr. De Cosm. Ltda.
O lote apresentou contagem de mesófilos  maior do que a permitida.
Resolução – RE Nº 3.934, de 8 de outubro de 2014

Suspensão da distribuição, comercialização e uso.
Medicamento Nidazofarma (Metronidazol) 6mg/ml, solução injetável.
13G0870/3-1 (val.: 07/2015)
Farmace Indústria Químico-Farmacêutico Cearence Ltda.
O lote apresentou corpo estranho de cor escura no interior do frasco.
Resolução – RE Nº 3.935, de 8 de outubro de 2014.

Suspensão da importação, distribuição, divulgação, comercialização e uso.
Microscópio Oftamológico e Conjunto Cadeira Coluna.
--
JMN Comércio, Importação, Exportação de Equipamentos Médicos Ltda.
Ambos os  produtos estavam sendo comercializados na internet sem possuir registro, notificação ou cadastro na Agência.
Resolução – RE Nº 3.936, de 8 de outubro de 2014

Suspensão da fabricação, distribuição, divulgação, comercialização e uso.
Cuspideira Odontológica

Newdent Equipamentos Odontológicos Ltda-EPP.
Os produtos estavam sendo divulgados irregularmente, na internet, sem possuir registro, notificação ou cadastro na Anvisa.
Alta Rotação
Fotopolimerizador
Jato de Bicarbonato
Micromotores
Seringa Tríplice
Ultra Som
Resolução – RE Nº 3.937, de 8 de outubro de 2014

Suspensão da distribuição, comercialização e uso.
Asetisin (Ácido Acetilsalicílico) 500mg, 100 comprimidos.
lote 245044 (val.: 10/2015)
Pharlab Indústria Farmacêutica S.A.
O lote apresentou resultado insatisfatório no ensaio de dissolução.
Resolução – RE Nº 3.938, de 8 de outubro de 2014

Suspensão da distribuição, comercialização e uso.
Metronidazol 250mg, comprimido.
13L95F (val.: 12/2015)
Prati Donaduzzi & Cia Ltda.
O lote apresentou mancha irregular de cor preta em uma das faces.
Todas as suspensões acima foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU).
FONTE: ANVISA (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA)
DATA: 09 de outubro de 2014
REFERÊNCIAS

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Resveratrol demonstra ter efeitos antimicrobianos contra a bactéria Propionibacterium acnes in vitro

O resveratrol (3,5,4'-trihidroxiestilbeno) é um antioxidante que tem múltiplos efeitos biológicos, incluindo propriedades antimicrobianas. A acne vulgar é uma doença pilossebácea caracterizada por uma resposta imunoinflamatória do hospedeiro à bactéria Propionibacterium acnes (P. acnes). Este estudo procurou determinar se o resveratrol pode ser um tratamento potencial para a acne vulgar.
Unidades formadoras de colônias (UFC) e microscopia eletrônica foram usadas para avaliar os efeitos antimicrobianos do resveratrol em bactérias P. acnes tratadas com resveratrol ou peróxido de benzoíla. O sangue de voluntários saudáveis foi colhido e ensaios com o 3-(4,5-dimetiltiazol-2-il)-5-(3-carboximethoxifenil)-2-(4-sulfofenil)-2H-tetrazólio (MTS) foram usados para avaliar a citotoxicidade em monócitos e queratinócitos.
Os resultados demonstram que o resveratrol tem atividade antibacteriana sustentada contra o P. acnes, enquanto que o peróxido de benzoíla, um tratamento antibacteriano comumente usado para a acne demonstrou resposta bactericida de curto prazo. Uma combinação de resveratrol e peróxido de benzoíla apresentou atividade antibacteriana inicial elevada e inibição sustentada do crescimento bacteriano. A microscopia eletrônica do P. acnes tratado com resveratrol revelou morfologia bacteriana alterada, com perda de definição da membrana e perda de estruturas fimbriais extracelulares bem definidas. O resveratrol foi menos citotóxico que o peróxido de benzoíla.
Concluiu-se que a atividade antibacteriana prolongada e a citotoxicidade reduzida demonstradas nesta pesquisa pelo resveratrol versus o peróxido de benzoíla destacam o seu potencial como uma nova opção terapêutica ou como uma terapia adjuvante no tratamento futuro da acne vulgar.

REFERÊNCIAS
·         DERMATOLOGY AND THERAPY. Resveratrol Demonstrates Antimicrobial Effects Against Propionibacterium acnes In Vitro. Disponível em:< http://www.dermtherapy-open.com/Article/989af277-7848-4934-b013-1e6b1893af2f/Resveratrol_Demonstrates_Antimicrobial_Effects_Against_Propionibacterium_acnes_In_Vitro>. Acesso em: 8 out. 2014. 



Pacientes com cirrose e peritonite bacteriana espontânea não devem usar bloqueadores beta não-seletivos, de acordo com publicação da Gastroenterology

Bloqueadores beta não-seletivos (BBNSs) reduzem a pressão no sistema porta e o risco de hemorragia por varizes em pacientes com cirrose. No entanto, o desenvolvimento de peritonite bacteriana espontânea (PBE) nesses pacientes pode impedir o tratamento com BBNSs por causa de seus efeitos sobre a reserva circulatória. Foram investigados os efeitos dos BBNSs em pacientes com cirrose e ascite com e sem PBE.
Foi realizada uma análise retrospectiva de dados de 607 pacientes com cirrose que fizeram a primeira paracentese na Medical University of Vienna entre 2006 e 2011. Modelos de Cox foram calculados para investigar o efeito da BBNSs no tempo de sobrevida livre de transplante e ajustados para a classificação de Child-Pugh e a presença de varizes.
Os BBNSs aumentaram a sobrevida livre de transplante em pacientes sem PBE (taxa de risco=0,75; intervalo de confiança de 95%: 0,581-0,968; p=0,027) e reduziram os dias de internação de urgência (19,4 dias/ano para pacientes em uso de BBNSs versus 23,9 dias/ano para os doentes que não usaram BBNSs). Os BBNSs tiveram apenas efeitos moderados sobre a hemodinâmica sistêmica na primeira paracentese dos pacientes. No entanto, ao primeiro diagnóstico da PBE, a proporção de pacientes hemodinamicamente comprometidos, com pressão arterial sistólica (PAS)<100 mmHg, foi maior entre aqueles que receberam BBNSs (38% vs 18% daqueles que não tomavam BBNSs, p=0,002), assim como a proporção de pacientes com pressão arterial <82 mmHg (64% daqueles que tomavam BBNSs vs 44% daqueles que não tomavam BBNSs, p=0,006). Entre os pacientes com PBE, os BBNSs reduziram a sobrevida livre de transplante (taxa de risco=1,58; intervalo de confiança de 95%: 1,098-2,274, p=0,014) e aumentaram os dias de internação de urgência (29,6 dias/pessoa-ano em pacientes em uso de BBNSs vs 23,7 dia/pessoa-ano entre aqueles que não tomavam BBNSs). Uma maior proporção de pacientes em uso BBNSs tinha síndrome hepatorrenal (24% vs 11% naqueles que não tomavam BBNSs, p=0,027) e lesão renal aguda grau C (20% vs 8% para aqueles que não tomavam BBNSs, p=0,021).
Entre os pacientes com cirrose e PBE, os BBNSs aumentaram a proporção dos que estão hemodinamicamente comprometidos, o tempo de internação e o risco para a síndrome hepatorrenal e para a lesão renal aguda. Eles também reduziram a sobrevida livre de transplante. Pacientes com cirrose e PBE não devem receber BBNSs.
REFERÊNCIA
·         NEWS.MED.BR, 2014. Pacientes com cirrose e peritonite bacteriana espontânea não devem usar bloqueadores beta não seletivos, de acordo com publicação da Gastroenterology. Disponível em: < http://www.news.med.br/p/pharma-news/574107/pacientes-com-cirrose-e-peritonite-bacteriana-espontanea-nao-devem-usar-bloqueadores-beta-nao-seletivos-de-acordo-com-publicacao-da-gastroenterology.htm >. Acesso em: 3 out. 2014.




terça-feira, 7 de outubro de 2014

Uso de tranquilizante pode elevar risco de ALZHEIMER

O uso prolongado e indiscriminado de ansiolíticos e tranquilizantes pode aumentar o risco de o idoso desenvolver a doença de Alzheimer, mostra estudo publicado no "British Medical Journal".
Utilizados para tratar sintomas como ansiedade e insônia, os benzodiazepínicos (como Rivotril, Frontal e Lexotam) foram associados a um risco até 51% maior de desenvolvimento da demência.
A venda dessa classe de calmantes tem aumentado no Brasil, na contramão do que acontece em países como Inglaterra e Alemanha, onde o comércio tem caído.
A pesquisa foi feita por um grupo de cientistas canadenses e franceses usando dados do sistema de saúde de Québec (Canadá).
Foram comparados 1.796 casos de alzheimer em pessoas acima de 66 anos com 7.184 idosos saudáveis (da mesma faixa etária) por um período de seis anos antes do diagnóstico da doença.
Os resultados revelaram que quanto maior o tempo de uso do remédio, maior foi o risco da demência. Acima de 180 dias, por exemplo, houve o dobro de chances.
Na última década, várias pesquisas apontaram para essa associação, mas havia dúvidas se os medicamentos já não eram prescritos a pessoas com sinais da doença.
Segundo editorial do "BMJ", o atual estudo traz dados mais convincentes porque, entre outras coisas, usou um grupo-controle e ajustou as variáveis, como sintomas de ansiedade e agitação.
Ainda assim, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito. "Os achados reforçam antigas suspeitas, mas é difícil provar com certeza absoluta que a medicação cause a neurodegeneração", diz Sophie Billioti de Gage, autora principal.
Ela ressalta, no entanto, que os médicos precisam pesar muito bem os benefícios e riscos ao indicar a medicação a um paciente idoso.
Segundo o psiquiatra Mário Eduardo Costa Pereira, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), há idosos em que a medicação se tornou "companheira de vida". "São usadas por dez, 20 anos. Devem ser evitadas, mas, quando indispensáveis, que seja por curto período 30 dias, no máximo e em baixas doses."
O geriatra Rômulo Meira, professor da Universidade Federal da Bahia, afirma que muitos pacientes deprimidos estão sendo tratados, erroneamente, com os benzodiazepínicos. "São indicados de forma abusiva e intempestiva. É uma panaceia."
Além do risco de alzheimer, há outras razões mais robustas para que idosos evitem os benzodiazepínicos. Em 2012, a Sociedade Americana de Geriatria os colocou na lista de substâncias inapropriadas para tratar sintomas de insônia e agitação.
"Entre os efeitos colaterais estão falhas de memória, confusão mental e instabilidade postural. Isso pode levar a quedas e fraturas", explica Meira, também membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Segundo ele, é muito comum os idosos se queixarem de insônia, quando, na verdade, têm dificuldade de dormir à noite porque costumam cochilar durante o dia. "Às vezes, uma simples higiene do sono já resolve."
OUTRO LADO
A Roche, fabricante do Rivotril, que lidera a venda entre os benzodiazepínicos, informou que não comentaria o estudo porque ele trata da classe terapêutica, não do Rivotril em específico.
Já a Pfizer, fabricante do Frontal, reforça que pacientes idosos são mais sensíveis aos benzodiazepínicos e que, nesses casos, é recomendado seguir a dose eficaz mais baixa pelo menor período de tempo, conforme consta na bula do medicamento.

FONTE: CFF (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA)
Data: 02/10/2014

REFERÊNCIA
http://www.cff.org.br/noticia.php?id=2295&titulo=Uso+de+tranquilizante+pode+elevar+risco+de+alzheimer